Justiça impõe acompanhamento psicológico e restrições ao vice-prefeito de Lages

Além do acompanhamento psicológico, foram determinadas outras medidas cautelares

O vice-prefeito de Lages, Jair Júnior, está sob acompanhamento psicológico por determinação judicial, informou o advogado de defesa, Francisco Ferreira, à Rádio Clube de Lages. A medida faz parte das condições impostas pelo juiz ao conceder liberdade ao vice-prefeito, depois que ele foi preso em flagrante sob suspeita de agressão e cárcere privado contra sua ex-namorada.

Segundo o advogado, o acompanhamento psicológico foi estabelecido como uma das medidas cautelares de urgência, substituindo a prisão preventiva.

“Ao ser substituída a prisão por medidas cautelares, ficou determinado que ele deveria se submeter a esse tratamento, o que não significa dizer que ele tenha alguma necessidade irremediável”, explicou.

O advogado argumentou que a terapia é uma prática recomendável para lidar com os desafios.

“Hoje em dia, terapia é recomendável como forma de enfrentamento aos conflitos próprios da vida cotidiana”, afirmou.

O tratamento está sendo realizado em Lages, e a defesa deverá apresentar comprovantes mensais de sua participação nas consultas no processo. Além do acompanhamento psicológico, foram determinadas outras medidas cautelares para Jair Júnior, que são:

  • Recolhimento no periodo noturno (das 20:30 horas até às 06:00 horas).
  • Proibição de aproximação: Jair Júnior está proibido de se aproximar da ex-namorada e de seus familiares, devendo manter uma distância mínima de 500 metros.
  • Proibição de contato: Também está proibido de entrar em contato com a ex-namorada e seus familiares por qualquer meio de comunicação, inclusive por terceiros.
  • Manter o endereço atualizado e comparecer a todos os atos processuais para os quais for intimado.
  • As medidas cautelares têm como objetivo garantir a segurança da vítima e o cumprimento das determinações judiciais durante o andamento do processo.

Estudo aponta que Lages é a 2ª pior cidade para mulheres em Santa Catarina

Um estudo recente da consultoria Tewá 225 analisou 319 cidades brasileiras para identificar os melhores e piores lugares para ser mulher. Utilizando indicadores do ODS 5 (Objetivo de Desenvolvimento Sustentável da ONU para Igualdade de Gênero), o levantamento revelou dados preocupantes sobre municípios catarinenses, incluindo Lages, que se destaca negativamente no estado.

Metodologia do estudo

O levantamento diz respeito ao ano de 2024 e foi realizado por meio de dados do DSC-BR (Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades). O foco foi nos indicadores do 5º ODS (Objetivo de Desenvolvimento Sustentável) da ONU, relacionados a:

  • Taxa de feminicídio a cada 100 mil mulheres;
  • Desigualdade salarial por sexo;
  • Percentual de mulheres na Câmara de Vereadores;
  • Taxa de mulheres jovens de 15 a 24 anos que não estudam e nem trabalham;
  • Diferença percentual entre homens e mulheres que não estudam e nem trabalham.

Cada indicador foi pontuado de 0 a 100, considerando recortes como etnia, regionalidade, biomas e economia que impactam as oportunidades disponíveis para as mulheres.

O desempenho das cidades foi classificado da seguinte maneira: “muito baixo” de 0 e 39,99; “baixo” de 40 a 49,99; “médio” de 50 a 59,99; “alto” de 60 a 79,99; e “muito alto” de 80 a 100.

Ranking das Piores Cidades para Ser Mulher em Santa Catarina

Com base no estudo da consultoria Tewá 225, as cidades catarinenses com os piores índices para as mulheres são:

  • Itajaí – Score: 29,98 (Muito Baixo)
  • Lages – Score: 35,06 (Muito Baixo)
  • Florianópolis – Score: 37,75 (Muito Baixo)
  • Joinville – Score: 38,01 (Muito Baixo)
  • Camboriú – Score: 39,01 (Muito Baixo)

O cenário de Lages

Entre os municípios analisados, Lages se destaca negativamente no ranking estadual. A cidade apresenta baixos índices de participação feminina em cargos políticos e altos níveis de violência contra a mulher. A taxa de feminicídios e agressões domésticas está acima da média nacional, evidenciando a necessidade urgente de políticas públicas voltadas à proteção e ao empoderamento feminino.

Outro fator preocupante é a alta taxa de mulheres jovens (15 a 24 anos) que Não Estudam Nem Trabalham (NENT). De acordo com o estudo, a sobrecarga do trabalho doméstico e a falta de oportunidades de qualificação profissional dificultam a inserção dessas mulheres no mercado de trabalho, perpetuando um ciclo de dependência financeira e vulnerabilidade social.

Fonte: SCC10

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