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Famílias trabalham sem equipamentos de proteção e condições de higiene em lavoura na Serra de SC

Vinte e quatro pessoas foram colocadas em terreno arrendado pelo patrão. Responsável pela lavoura disse que deu dinheiro extra para compra de equipamentos.

Há seis meses, famílias que vieram do Oeste catarinense estão trabalhando em uma lavoura em Rio Rufino, na Serra, sem equipamentos de proteção individual ou condições de higiene e moradia. Eles também reclamam que estão sem dinheiro para comprar comida. A Secretaria Municipal de Assistência Social afirmou que presta ajuda às famílias, como mostrou o NSC Notícias.
O responsável pela lavoura disse que nesta terça (17) deve pagar as verbas rescisórias e dispensar todos os trabalhadores. Disse ainda que deu dinheiro extra para eles comprarem os próprios equipamentos de segurança e que era o único a passar agrotóxicos, sempre respeitando os limites. Sobre as condições de moradia, disse que foi uma opção das famílias para não pagar aluguel. O Ministério do Trabalho foi acionado para verificar essa situação, mas ainda não se manifestou.
 

Situação das famílias
 
Os trabalhadores vieram de Dionísio Cerqueira para atuar na colheita do tomate. Em Rio Rufino, a promessa era de uma vida melhor, mas não foi isso que eles encontraram.

Ao todo, 24 pessoas, entre adultos e crianças, moram em um terreno arrendado pelo patrão. O lugar construído para eles morarem, de madeira, tem pouca estrutura, com colchões no chão.
Sem dinheiro, a comida dos últimos dias foi farinha. "Nós estávamos passando necessidade já, por falta de comida, só com farinha, e íamos pescar para nós termos a nossa mistura", disse uma trabalhadora, que não quis se identificar.

Todas essas pessoas utilizam apenas um banheiro, uma casinhola de madeira, construída sem nenhum tipo de saneamento básico. O esgoto corre a céu aberto.

Jovens de 14 anos passavam veneno sem nenhum equipamento de proteção. "A gente trabalhava na chuva, descalço, se atolava tudo no barro. Ele [patrão] passando veneno com o trator e a gente trabalhando também no meio do veneno", disse outra trabalhadora.
Sobre os equipamentos de proteção, ela disse que "a gente cobrava todo o mês dele. Prometia 'tal dia eu trago' e nunca trouxe".
 

Denúncia e ajuda
 
O caso foi denunciado pelos próprios moradores à polícia. O secretário de Assistência Social de Rio Rufino, Jucelino Ribeiro Moraes, disse que tomou conhecimento do assunto na última semana e passou a ajudar as famílias. "Estamos auxiliando com alimentação, a locomoção, com passagens, e dentro daquilo que o município tem condição no momento", disse.
Na noite desta segunda, algumas mães e crianças foram embora do local. Os outros moradores ficaram para tentar receber pelo trabalho que fizeram.

Fonte: G1 SC

 

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