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Dez anos de uma das maiores tragédias climáticas de Santa Catarina

Entre os dias 20 e 24 de novembro de 2008 Santa Catarina viveu um das seus piores desastres naturais. Na história do Estado não há registro de um novembro tão chuvoso no Vale do Itajaí, Litoral Norte e Grande Florianópolis. Algumas cidades destas regiões chegaram ter só em novembro de 2008 algo próximo de 1.000 mm de chuva. Qual o normal? 150 mm.

Pela visão meteorológica essa tragédia foi uma combinação de fatores. A localização geográfica foi uma. Bem decisiva!

MESES ANTES

O Vale do Itajaí fica muito próximo do mar e do lado da serra geral, ou seja, de enormes paredões de rocha. Um dos motivos meteorológico começou em setembro e foi até novembro. Por vários dias deste período, tivemos uma anomalia da pressão do ar sobre o oceano (alta pressão). Ela foi mais alta que o normal gerando o que chamamos de bloqueio, ou seja, não permitia que outros sistemas meteorológicos como as frentes frias trouxessem mudança do tempo de um dia para o outro.

Naqueles meses antes da tragédia, o bloqueio trouxe muitos dias com ventos de leste, ou seja, do mar para o Vale do Itajaí. Transporte de umidade típica do oceano para o continente. Essa umidade foi levantada pelos paredões da serra causando o esfriamento e a condensação do ar, ou seja, nuvem de chuva. Meses antes da tragédia tivemos chuva fraca, porém constante. Água que se infiltrava lenta e gradativamente no solo argiloso do litoral de SC, que foi ficando cada vez mais saturado d’água.

​Tragédia de 2008: há 10 anos morria Luana, a primeira vítima fatal da catástrofe em Blumenau​

O PIOR MOMENTO

A condição meteorológica se agravou no dia 21 de novembro, quando a umidade do mar ganhou um sistema de baixa pressão a mais ou menos CINCO mil metros de altitude, conhecido cientificamente como vórtice ciclônico de altos níveis. Esse novo fator gerou a diminuição da densidade do ar. Uma sucção que aumentou o levantamento do ar. Como é um sistema frio, o contraste entre as baixas temperaturas no vórtice, em torno de -19°C, e o calor da superfície, também ajudaram a levantar ainda mais o ar. Os dois efeitos geraram nuvens com muita água para chuva.

Foi assim durante todo o período do dia 21 até o dia. Chuva sem parar e com uma intensidade considerável. Chuva que não penetrou nos morros que vieram abaixo.

CHUVA NUNCA VISTA

Usando o histórico de dados de chuva na região fica claro perceber o quanto choveu acima da normalidade nesta tragédia.

O gráfico mostra os maiores volumes de chuva em novembro em cidades da região antes e no evento de 2008. A diferença é enorme. Blumenau chegou a ter em apenas 24h 283 mm, ou seja, quase o dobro do que normalmente ocorre na cidade em um novembro inteiro.

No mapa abaixo temos a quantidade de chuva ocorrida só entre os dias 21 e 24 de novembro de 2008. Percebemos claramente como a chuva intensa foi restrita a faixa entre Vale do Itajaí e Litoral.

Fonte:NSC Total

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