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Programa: Ponte na Madrugada

Neném: o guardião do Morro do Cachorro

O cão é o único de uma ninhada com 12 filhotes a permanecer no local

Um dos pontos mais altos de Blumenau, a 760 metros do nível do mar, é guardado por um sobrevivente. Neném, uma mistura de pitbull com vira-lata, monitora de perto todos que chegam ao topo do Morro do Cachorro, no bairro Itoupava Central. Ele não é o responsável pelo nome dado à região, mas sua história ajuda a manter vivos os fatos que resultaram na forma como as pessoas conhecem a localidade. Sua vida, de apenas um ano, é carregada de aventuras, mas também serve de alerta para os recorrentes casos de animais deixados ao longo da estrada que leva ao terceiro ponto mais alto da cidade.

Neném nasceu no pico do morro, filho de uma cachorra que foi deixada lá por um homem que trabalhava na região. O dono foi embora, mas Nena, como era chamada, ficou e teve três crias. Na última delas veio Neném. Muitos de seus irmãos conseguiram um lar, mas ele e mais alguns das ninhadas anteriores não tiveram a mesma sorte. Há três meses, seus últimos companheiros sumiram e agora ele está sozinho.

Hoje o cachorro faz companhia para quem cuida das antenas de transmissão instaladas lá em cima. Tiago Caetano é uma dessas pessoas e tem Neném como fiel escudeiro há cinco meses. Conhece a história do cachorro, por quem tem um carinho especial. As fotos no celular mostram alguns dos momentos juntos e na memória estão lembranças das artes aprontadas pelo cachorro, como morder um ouriço e ser picado por cobra.

O animal recebe atenção especial de quem ganha a vida lá no alto da cidade e é só olhar para perceber o quão bem cuidado está. Animado, brincalhão, forte e de pelo brilhoso, a vida é só alegria para Neném. Uma realidade que muitos cães não vivem, aponta Caetano ao contar que ele e seus colegas já chegaram a abordar pessoas que tentavam abandonar cachorros no local.

Quem mora na área, por vezes, já adotou um deles. Outros ganharam um lar daqueles que foram ao topo do morro apenas para ver a paisagem. É o que conta Elirio Antônio Henkels, outro funcionário que trabalha nas antenas. Ele conheceu Nena, a mãe de Neném, e ajudou a encontrar um lar para alguns dos filhotes.

- Quando o pessoal subia lá para passear eles viam os cachorros, gostavam e aí a gente oferecia. Muitas pessoas adotavam – recorda.

Embora exista quem pense que o nome Morro do Cachorro vem do histórico de abandono de animais no local, a história é um pouco diferente. Contam os periódicos antigos que em 1875 uma cadelinha de um dos membros de uma expedição ao topo da colina fugiu para acompanhar o grupo. Ela estava prenha e ganhou os filhotes no alto do complexo.

Como seria difícil descer com a cria, os recém-nascidos foram abatidos e apenas a mãe voltou à cidade junto com os desbravadores. A história ganhou repercussão e o então Morro da Carolina, como era anteriormente conhecido, se tornou popular por Morro do Cachorro.

ABANDONO DE ANIMAIS É CRIME

Abandono é crime, previsto no Código de Proteção e Bem-Estar Animal de Blumenau, passível de penalização. A problemática, segundo o médico veterinário do Cepread Andre Tombeck, é identificar os autores e reunir provas que comprovem o fato. Para tentar reduzir os índices altos de abandono, o município aposta na conscientização da comunidade para a posse responsável.

Enquanto a prática ainda é comum, a recomendação para quem presenciar animais sendo deixados nas ruas da cidade é ligar para a Ouvidoria da Saúde, no telefone 3381-7770, ou na Ouvidoria Geral da Prefeitura, no 156, opção 2. Se possível, anotar informações que possam contribuir com as investigações, como placa do veículo, e até mesmo fotografar.

Fonte: NSC / Santa

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